Desde quando nascemos até a hora de partir, na velhice, nossos ossos estão em formação, isso quer dizer que a qualquer momento da vida é possível melhorar nossa saúde óssea. Contudo, se você não formar uma base forte, provavelmente ficará mais suscetível a osteopenia e osteoporose. Segundo a IOF – Intenational Osteoporosis Foundation, atinge mais de dez milhões de pessoas no Brasil.

Conceitualmente osteopenia é a perda gradual da massa óssea quando a ação de reabsorver o osso é mais frequente do que a de produzi-lo. Quando o comprometimento da densidade mineral óssea for muito grande, chamaremos de osteoporose, um distúrbio osteometabólico que provoca a redução da densidade mineral óssea, resultando em alterações da arquitetura dos ossos. Por deixá-los mais frágeis aumentaremos a chance de fraturas. Tal afecção pode atingir homens e mulheres, porém é de grande incidência no sexo feminino e após a menopausa (15-33% das mulheres).

Inicialmente não apresenta sintomas e por isso é pouco diagnosticada. A medida que evolui o quadro podem aparecer dores nas costas, perda de altura, alterações posturais e fraturas espontâneas (aquelas sem necessidade de queda ou contusão), mais comuns nas vértebras da coluna, rádio distal (osso do antebraço) e colo do fêmur (no quadril).
De etiologia multifatorial, a idade avançada (maiores de 65 anos), etnia branca ou asiática, baixo índice de massa corporal, história familiar, dieta inadequada, pouca ou nenhuma exposição solar e o estilo de vida inadequado (sedentarismo, abuso de álcool e tabagismo) são os principais fatores de risco para o desenvolvimento da osteoporose.

Entre os fatores protetores certamente o exercício físico regular é o mais impactante! A saúde óssea depende do movimento ósseo, do impacto. Mas não entenda o impacto como saltar ou correr, qualquer movimento executado por nosso esqueleto depende de alavancas musculares que fazem a ponte entre um osso e outro. Dessa maneira, todas as vezes em que há contração muscular, existe também trabalho ósseo. Portanto, caminhar, fazer tarefas domiciliares, carregar as compras do mercado e subir escadas, são formas de estimular o crescimento da nossa massa óssea. Claro que é importante ressaltar que atividades aquáticas como a hidroginástica promoverão menor impacto nos ossos, a ponto de não prevenirem efetivamente a osteoporose, bem como, atividades mais intensas, de maior carga muscular, promoverão aumento maior da densidade mineral óssea.

De acordo com Sebastião Cezar Radominski e outros autores, as recomendações da diretriz brasileira para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós menopausa incluem os exercícios físicos resistidos, supervisionados, principalmente que envolvam fortalecimento dos músculos das coxas e aqueles com o próprio peso corporal devem ser executados para o tratamento dos pacientes que já têm diagnóstico de osteoporose, com o objetivo de reduzir a chance de quedas e fraturas, bem como, melhorar a qualidade de vida.

A revista Brasileira de Promoção da Saúde (2020) publicou artigo sobre as ações primárias e secundárias relacionadas aos fatores de risco para a osteoporose, Giulia Ohana Franco e colaboradores destacaram outros fatores envolvidos na saúde óssea como a alimentação, principalmente relacionada a ingesta de cálcio (idealmente 1200mg/dia), vitamina D (em concentrações que dependerão dos valores séricos, podendo iniciar com 50.000UI/semana para os que estão com valores insuficientes) e exposição solar (10-15 minutos diários com braços e pernas expostos ao sol de intensidade alta). Todos fatores modificáveis e que fazem parte do processo preventivo.

Não posso deixar de destacar também a importância da avaliação da secreção hormonal, que também é parte importante da fisiopatologia da osteoporose. Esse é um dos fatores, por exemplo, que promove o aumento da incidência após a menopausa, quando os hormônios estão em queda brutal.

A prevenção secundária está ligada ao rastreamento da doença que deve ser realizado com o exame de densitometria óssea, RX lateral da coluna lombar e torácica da avaliação de parâmetros laboratoriais como: hemograma, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, testes de função tireoidiana, 25OH Vitamina D, creatinina e calciúria de 24 horas. Idealmente deve-se realizar consulta com médico que, de acordo com os sintomas e presença de fatores de risco, definirá quais exames você deverá realizar.

Aproveito o Dia Mundial de Combate a Osteopenia e Osteoporose para, mais uma vez, ressaltar que o básico previne doenças. Nada melhor do que uma alimentação balanceada e exercício físico para garantir nossa saúde óssea, independente da idade.

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