A tendinite vem a ser definida como um processo inflamatório que acomete o tendão, enquanto a tenossinovite, um processo inflamatório da membrana que recobre o tendão. Parece óbvio e lógico o conceito, contudo muitas vezes são temos utilizados como sinônimos.

Além disso o termo “tendinite” pressupõe inflamação do tendão e esse pode guardar certas controvérsias devido à ausência de células inflamatórias locais em muitos casos, baixos níveis de prostaglandina locais e eficácia questionável de anti-inflamatórios e corticoides quando usados isoladamente para a resolução da moléstia. Todavia, citocinas como a IL-1 e outras substâncias relacionadas à inflamação têm níveis locais aumentados e o tendão, quando exposto experimentalmente à prostaglandina E2, pode desenvolver inflamação e degeneração. “Tendinite”, portanto, tem alguma relação com um processo inflamatório peculiar com características próprias, já que sabemos que a circulação no tecido tendinoso bem como a chegada de células de defesa são completamente reduzidas pela característica do tecido.

As maiores controvérsias envolvendo a tendinite não estão no campo da pesquisa básica, mas no diagnóstico, que envolve uma série de considerações clínicas e de imagem. Parece que os exames de ultrassonografia extensamente utilizados para diagnóstico da tendinite têm superdiagnosticado a doença. O estudo de Sienal e Helfenstein (2009) apresenta uma revisão demonstrando um conjunto de evidências que afirmam a necessidade de melhor treinamento da anamnese e exame físico, bem como maior cautela na interpretação da US no contexto da tendinite. Segundo os autores os valores de acerto baseado exclusivamente na técnica clínica têm fidedignidade superior àquela do diagnóstico ultrassonográfico das mesmas lesões. A boa propedêutica, portanto, parece superar o exame de imagem, em algumas situações. Isso, de modo algum, diminui a importância da US, mas se constitui em evidência contrária à sua incorreta hipervalorizarão, como vemos em nossa prática diária.

E a tenossinovite, o que seria? É a inflamação das bainhas dos tendões. A mais conhecida é a Tenossinuvite De Quervain, uma inflamação na bainha dos tendões do primeiro compartimento extensor do punho. Seu diagnóstico é clínico através de anamnese e exame físico baseado na ocorrência de dor local e positividade ao Teste de Finkelstein.  Caso o diagnóstico clínico não seja consistente, exames de imagem podem ser solicitados, a fim de, elucidar melhor o diagnóstico.

A ressonância magnética, neste caso, é a modalidade de exame que fornece melhor contraste entre os tecidos e consiste em uma forte arma no diagnóstico de tal doença, uma vez que, aponta alguns achados que corroboram para um diagnóstico conclusivo, excluindo também outros diagnósticos diferenciais. (MEDEIROS, et al., 2016). Estudos histiopatológicos questionam de certa forma o termo tenossinuvite, já que o principal marcador histológico da enfermidade é o acúmulo de mucopolissacarídeos na bainha tendínea, indicando processo degenerativo em curso e não inflamatório. Parece que a camada interna demostra degeneração mixoide ou mucinosa e a camada central exibe proliferação vascular e macrófagos esparsos, sendo a porção externa da bainha histologicamente normal. Contudo, por convecção e facilitação de comunicação entre a área da saúde e seus pacientes, a tenossinuvite é considerada como processo inflamatório, assim como todas as “ites” que conhecemos!

Ainda outro termo que causa dificuldade de entendimento é a Sinovite, mas esta afecção foi descrever em outro momento!

Tendinite ou tenossinuvite, as duas são afecções causadas aos tendões e que causam processos dolorosos. A causa destas doenças ainda precisa ser melhor estudada e esclarecida pois ainda não há comprovação científica de que as condições sejam causadas pelo excesso de uso (ocupacional ou recreacional), mas apesar de ser considerado o fator principal, parece que a fatores genéticos ligados ao sexo possam explicar a predominância destes quadros entre as mulheres.

De qualquer maneira sabemos que o fortalecimento da musculatura proporciona ao tendão maior capacidade de aporte de nutrientes e recuperação tornando-se, à medida que o músculo cresce em força e tensão, mais espesso.

Manter-se fisicamente ativo e com bom desenvolvimento muscular podem prevenir o surgimento das tendinites e tenossinovites.

Agora se você está em um processo agudo de dor, o exercício pode não ser a melhor escolha. Sugere-se sempre o tratamento fisioterápico para analgesia e redução do processo infeccioso (se assim podemos dizer!).

E outra situação muito importante é não permitir que o seu diagnóstico seja realizado pelo exame de imagem… questione o seu médico sobre o exame clínico e os testes que sugerem o diagnóstico de lesão. Até onde eu saiba, e tenha aprendido durante a faculdade de medicina, a anamnese e exame físico devem ser realizados em todos os pacientes e são eles que indicarão ou não a necessidade de confirmação por exames de imagem.

Referências:

SIENAL, C.; HELFENSTEIN JR, M. Equívocos diagnósticos envolvendo as tendinites: impacto médico, social, jurídico e econômico. Rev. Bras. Reumatol. vol. 49 nº. 6 São Paulo Nov./Dec. 2009.

Revista de Medicina e Saúde de  Tenossinovite de Quervain: aspectos diagnósticos Quervain’s Tenosynovitis: diagnostics aspects Maisa da Silva Dulci Medeiros 1 , Diego Vinícius Gonçalves Santana 1 , Gleim Dias de Souza 2 , Luciana Rodrigues Queiroz Souza Rev Med Saude Brasilia 2016; 5(2): 307-12

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